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ROAS para iniciantes

Como calcular e usar o retorno sobre investimento publicitário.

ROAS é uma das métricas mais importantes em publicidade paga — sem perceber esta, qualquer outra perde contexto. Aqui está como funciona.

Definição rápida

ROAS significa Return On Ad Spend — retorno sobre investimento publicitário.

A fórmula:

ROAS = Receita gerada pelos anúncios ÷ Custo dos anúncios

Exemplo: gastas 200€ em anúncios e os anúncios trazem 800€ em vendas. O teu ROAS é 4 (800 ÷ 200).

Lê-se como “4 vezes” ou “4 para 1”. Por cada euro gasto, retornaram 4€ em vendas.

Como ler o número

  • ROAS = 1 — empate. Cada euro investido devolve um euro em vendas. Não perdes, mas também não ganhas (e ainda tens os custos de produção, equipa, etc.).
  • ROAS < 1 — estás a perder dinheiro nos anúncios. 0.5 quer dizer que por cada euro gasto, só voltam 50 cêntimos.
  • ROAS > 1 — estás a ganhar em receita (não necessariamente em lucro — ver abaixo).
  • ROAS = 3 ou mais — bom sinal geral em e-commerce. O ponto de breakeven costuma estar nos 2 a 3, dependendo das margens.
  • ROAS = 10 ou mais — ou és muito bom, ou estás a contar tráfego que ia comprar de qualquer forma (problema de atribuição).

ROAS ≠ Lucro

A confusão mais comum: ROAS não é lucro.

Se gastas 200€ em anúncios para vender 800€ em produtos, o teu ROAS é 4. Mas:

  • O custo dos produtos vendidos é 400€
  • O custo do envio é 50€
  • Os impostos são 60€
  • O teu lucro real é 90€ (800 − 200 − 400 − 50 − 60), não 600€

ROAS é receita ÷ custo de anúncios. Apenas. Não inclui custo dos produtos, salários, infraestrutura, ou nada que não sejam os anúncios em si.

Para perceberes se a campanha é rentável de verdade, precisas de saber a tua margem depois de tudo (anúncios + produtos + operação) e comparar com o ROAS.

O ROAS de breakeven

O número que vale a pena teres presente é o teu ROAS de breakeven — o nível abaixo do qual estás a perder dinheiro.

Fórmula:

ROAS breakeven = 1 ÷ Margem (em decimal)

Exemplo: se a tua margem (depois de tudo, excluindo anúncios) é 30%, o teu ROAS breakeven é 1 ÷ 0.30 = 3.33.

Quer dizer: para anúncios serem rentáveis, precisas de ROAS acima de 3.33. Abaixo disso, mesmo com ROAS 3.0, estás a perder dinheiro.

Onde se vê o ROAS

O ROAS aparece automaticamente em:

  • Google Ads — se tens conversões com valor configurado.
  • Facebook Ads Manager — se tens o Pixel ou Conversions API a passar valores.
  • Plataformas de e-commerce (Shopify, WooCommerce, etc.) que integram com os anúncios.

Sem valor da conversão configurado, a plataforma de anúncios não consegue calcular ROAS — vai mostrar ”—” ou 0. Para resolver: nos eventos de conversão (compra, lead), passa sempre o valor monetário. Sem isso, falta-te a métrica que mais importa.

Como melhorar o ROAS

  1. Aumenta a margem — aumenta o preço, reduz custos, vende produtos com melhor margem.
  2. Melhora as conversões — mais conversões pelo mesmo custo = ROAS sobe.
  3. Foca-te em audiências que compram, não em quem só clica.
  4. Pausa os criativos ou campanhas com pior ROAS — investe no que está a funcionar.
  5. Aumenta o ticket médio — upsells, cross-sells, bundles.
  6. Reduz fricção no checkout — mais conclusões = mais conversões = ROAS sobe.

Quando o ROAS engana

  • Atribuição enganadora: o anúncio reclama uma venda que ia acontecer de qualquer forma (cliente já te conhecia).
  • Janela de atribuição esticada: se o Facebook conta vendas que aconteceram 28 dias depois do clique, infla o ROAS.
  • Sem custo dos produtos contabilizado: ROAS 5 com margem de 10% significa lucro próximo de zero.
  • Sazonalidade: ROAS no Black Friday vai parecer excelente. Não significa que a campanha é boa — significa que o mercado todo está a comprar.

A regra prática

Não persegues ROAS alto a qualquer custo. Persegues ROAS acima do breakeven, com volume suficiente para ser materialmente relevante para o teu negócio.

ROAS 10 numa campanha de 100€/mês tem pouco impacto absoluto. ROAS 3 numa campanha de 5.000€/mês com breakeven em 2.5 é o que sustenta o negócio.

Cada negócio tem o seu próprio breakeven e o seu próprio normal — comparar com o teu histórico ao longo do tempo vale mais que tabelas externas.

Próximos passos

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4 min de leitura · Actualizado a 2026-05-14

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