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Quanto gastar em Google Ads quando estás a começar

A pergunta certa não é quanto devo investir. É quanto posso perder enquanto aprendo. Um guia honesto para decidir o teu primeiro orçamento.

Anúncios & Orçamento | 22 de abril de 2026 -4 min de leitura
Quanto gastar em Google Ads quando estás a começar

Se perguntares a dez agências quanto devias gastar em Google Ads, vais ouvir dez respostas diferentes — e quase todas vagas. “Depende.” “Entre 500 e 2000 euros.” “O mínimo para o algoritmo aprender.”

A verdade é que quase ninguém te diz o que interessa, porque a resposta honesta não vende serviços.

Este artigo faz o contrário. Vai dar-te uma forma concreta de decidir o teu primeiro orçamento, com base em números que já estão no teu negócio — não em achismos nem em “boas práticas” recicladas.

A pergunta que estás a fazer é a errada

“Quanto devo gastar?” assume que há um número certo à espera de ser descoberto.

Não há. Gastar 500€ pode ser pouco para um negócio e absurdo para outro. Depende do que vendes, da margem que tens, e de quanto tempo consegues aguentar sem resultado.

A pergunta certa é: “Quanto posso perder enquanto aprendo a fazer isto funcionar?”

Porque os primeiros meses em Google Ads são sempre aprendizagem. Mesmo uma agência experiente demora 4 a 8 semanas a perceber que palavras-chave funcionam, que páginas convertem, que públicos respondem. Para quem está a começar sozinho, este período é maior.

Se olhares para o orçamento como o custo da tua aprendizagem — e não como um investimento com retorno garantido nos primeiros 30 dias — já estás a pensar melhor do que 80% das pessoas que começam.

Os 3 números que precisas antes de abrir o Google Ads

Antes de decidir quanto gastar, tens de saber quanto vale cada cliente para ti. Sem isto, o orçamento é um tiro no escuro.

1. Valor médio de uma venda

Quanto é que um cliente novo te paga, em média, na primeira compra? Se vendes várias coisas com preços diferentes, usa a média dos últimos 3 meses.

2. Margem bruta

Do valor da venda, quanto te sobra depois de pagar os custos diretos? Para serviços, a margem costuma ser alta (70-90%). Para produtos físicos, costuma ser mais apertada (30-50%). Usa o teu número, não a média da indústria.

3. Tempo de vida do cliente

Quantas vezes, em média, um cliente típico volta a comprar? Se não sabes, assume 1 — o cálculo fica conservador, o que é bom para começar.

A fórmula simples

Com estes três números, consegues decidir um orçamento inicial que faz sentido:

Orçamento mensal inicial = 10 a 15 × a margem bruta de 1 cliente novo

Isto significa que estás a apostar que, com o gasto de um mês, consegues trazer entre 10 e 15 clientes suficientes para a aprendizagem gerar retorno ou sinais claros.

Um cenário real

Uma loja online de cosmética em Aveiro. Valor médio de venda: €45. Margem bruta: 40% (€18 por venda). Cliente volta, em média, 1,5 vezes por ano (€27 de margem total por cliente).

Orçamento inicial sugerido: €270 a €400/mês.

Com este valor, precisa de trazer 10 a 15 clientes novos para o gasto fazer sentido. Se em 2 meses não chegar perto, a estratégia está errada — palavras-chave, página de destino, ou preço. Se chega e supera, vale a pena escalar.

A mesma lógica funciona para qualquer ticket. Quanto maior a margem por cliente, maior o orçamento sustentável — e menos clientes precisas para justificar o gasto.

Os erros que vão comer-te o orçamento

Três erros que aparecem no caminho de quase toda a gente:

  • Gastar “para testar” sem saber o que estás a testar. “Vou meter €20/dia para ver o que acontece” não é uma estratégia. Define palavras-chave, página de destino e objetivo antes de arrancar.
  • Acabar o orçamento no primeiro mês e parar. O algoritmo precisa de tempo para aprender. Parar ao fim de 3 semanas é como tirar um bolo do forno a meio.
  • Olhar só para o CPC e ignorar a conversão. Um clique a €0,40 que não compra nunca é mais caro do que um clique a €1,20 que compra. O que interessa é o custo por cliente adquirido.

Sinais para dobrar ou para parar

Depois de 6 a 8 semanas, vais ter dados. Nessa altura, decides:

Sinais verdes: custo por cliente abaixo da margem bruta, 2 a 3 palavras-chave que trazem clientes reais, tráfego pago que converte em linha com o orgânico.

Sinais vermelhos: muitos cliques e zero conversões, custo por cliente acima da margem, impossibilidade de perceber de onde vêm os clientes.

Parar uma campanha não é falhar. É aprender. Voltar ao Google Ads três meses depois, com melhor entendimento, é o movimento certo.

O que vai acontecer depois

Google Ads é um canal que paga a quem persiste com método. Os primeiros 3 meses são os mais caros e os mais confusos. A partir do mês 4, se fizeste o trabalho de casa, começas a identificar padrões: palavras-chave campeãs, horários que convertem, páginas que funcionam. É nesse momento que o orçamento deixa de ser “aprendizagem” e passa a ser investimento.

A parte mais difícil é acompanhar estes sinais ao longo do tempo sem perder o fio. A Raveki faz isso por ti — monitoriza o teu CPC, as conversões e o ROAS automaticamente, e alerta-te quando algo muda. Mas mesmo sem ferramenta nenhuma, os três números que listámos são o teu ponto de partida.

Antes de abrires o Google Ads esta semana, faz o seguinte: escreve num papel os três números que listámos — valor médio de venda, margem bruta, tempo de vida. Calcula o teu orçamento inicial. Só depois abres a plataforma.

É o passo mais subvalorizado do marketing pago. E é o único que separa quem aprende de quem desperdiça.

Escrito por

João

João

Founder, Raveki

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